08 dezembro, 2010

Elas lêem melhor que eles em todos os países

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Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

Nos 65 países avaliados pelo Pisa, meninas foram melhor em leitura. Em matemática e ciências não há unanimidade
Nos 65 países onde 460 mil adolescentes de 15 anos realizaram o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa), as meninas se saíram melhor que os meninos em leitura. Já em matemática, eles vão melhor em 44 nações e elas, em 11. Na prova ciências a diferença entre gêneros é muito pequena, segundo a Organização para Cooperação dos Países Desenvolvidos (OCDE), responsável pela avaliação divulgada nesta terça-feira.
Em média, a nota feminina foi de 39 pontos a mais do que a masculina em leitura, o que equivale a um ano a mais de estudo segundo a organização. Também há uma diferença entre os percentuais que estão nas duas notas extremas. Entre as meninas, só 3,1% estão com pontuação até o nível 1 (o menor), que é considerado abaixo do básico e 10% ultrapassam o nível 5 (o mais alto). Já entre os meninos, 8,4% fizeram até 1 e só 5,3% mais que 5 (veja o que significa cada nível no gráfico com ranking).
No Brasil a diferença foi de 28 pontos, o que significa que, sem elas, a média não atingiria o nível 2 em leitura.
Eles calculam (um pouco) melhor
Em matemática, a média dos estudantes masculinos é 12 pontos mais alta do que a média das adolescentes. Entre os 44 países em que eles vão melhor que elas com os números, está o Brasil, onde os meninos fizeram 16 pontos a mais que as meninas. Em outros 11 países elas conseguiram superá-los.
Em ciências, a OCDE considera que não há diferença entre sexos. A média fica dentro da "margem de erro em 48 países" incluindo o Brasil, onde os jovens fizeram 3 pontos a mais que as jovens. Em 14 países os meninos fizeram 10 pontos a mais e em 4, as meninas é que obtiveram esse resultado.

07 dezembro, 2010

Alunos da rede federal estão entre os melhores do mundo

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Priscilla Borges, iG Brasília

Média obtida em avaliação internacional por eles supera a de países como Canadá e Reino Unido e encosta no Japão
Se a maioria dos estudantes brasileiros não consegue ler, fazer cálculos matemáticos e compreender a ciência como a maioria dos jovens de países desenvolvidos como Inglaterra, França, Estados Unidos, Canadá e Japão, há um grupo seleto de alunos do País que consegue até superá-los quando o assunto é o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa).
As notas do último exame educacional, criado pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para verificar a qualidade de ensino nos países desenvolvidos e parceiros, mostram que os estudantes da rede federal de educação básica obtiveram desempenhos tão bons ou até superiores aos de muitos alunos que vivem em países muito desenvolvidos.
Relatório divulgado pela OCDE aponta que a nota em leitura desses estudantes da rede pública federal ficou em 535. A média dos países desenvolvidos na área é de 493 pontos. Em matemática, a situação se repete. Foram 521 pontos obtidos pelos alunos da rede federal contra 495 da OCDE. Em ciências, os brasileiros ficaram com 528 e os desenvolvidos, 500 pontos. A média geral da rede ficou em 528.
Essa média está à frente de países como França, Estados Unidos, Israel, Espanha, Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Austrália e Canadá. Só perde para a o Japão (529 pontos), Coréia (541), Cingapura e Finlândia (543), Hong Kong (546) e Shangai (577). Vale lembrar que a China preferiu não colocar todas as províncias e regiões do país para realizar as provas. Apenas algumas participaram do Pisa.
"É uma rede pequena, mas é a prova de que o setor público sabe oferecer uma boa educação. Para isso, tem de remunerar bem o professor, investir em laboratório e investir em educação integral. Todos são componentes do sucesso educacional", ressaltou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Os estudantes das escolas federais ficaram com resultados melhores do que a rede privada brasileira.

Notas por redes de ensino
Dependência administrativa Média Leitura Matemática Ciências
Rede pública federal 528 535 521 528
Rede privada 502 516 486 505
Rede pública (estadual e municipal) 387 398 372 392

Público e privado
Na rede particular, os resultados também foram bons. A média geral dos alunos dos colégios privados nas três áreas do conhecimento foi de 502 pontos, com destaque para leitura (516 pontos). A rede pública estadual e municipal, no entanto, apresenta diferenças gritantes de desempenho. A média geral desses estudantes foi de 387 pontos. A nota mais alta, em leitura, foi de 398.
Para Haddad, apesar das diferenças, o País está no caminho certo e deve aprender com as boas práticas nacionais e internacionais. "O sistema educacional brasileiro está reagindo aos estímulos. Crescemos 17 pontos no último triênio. Aparentemente, estamos no rumo certo", pondera. "O ingrediente do sucesso é dar mais autonomia combinada com mais responsabilização", defende.
O ministro acredita ainda que a realização das olimpíadas de conhecimento, especialmente a de matemática, pode ter influenciado positivamente na melhora das notas dos brasileiros na disciplina. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pede "toda semana" que o ministério crie agora os jogos de incentivo ao estudo das ciências.

01 novembro, 2010

Capes disponibiliza link para webconferência sobre OBMEP

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via Página Inicial by edson.morais@capes.gov.br (Assessoria de Comunicação Social) on 10/29/10

Nesta segunda-feira, 25, a Diretoria de Educação Básica Presencial (DEB) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) promoveu uma webconferência sobre a Olimpíada Brasileira de Matemática nas Escolas Públicas (OBMEP). Estiveram presentes no evento o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, e o diretor da DEB, João Carlos Teatini.
A conferência foi conduzida pela profª Suely Druck, diretora da OBMEP e membro do Conselho Técnico Científico da Educação Básica da Capes, que apresentou os materiais didáticos produzidos pela OBMEP e entusiasmou os participantes com a riqueza e a criatividade dos livros publicados. Para que aqueles não puderam acompanhar o encontro tenham acesso ao que foi apresentado, a Capes publica aqui uma edição da webconferência. Todo o material apresentado na ocasião pode ser encontrado na página da OBMEP.
Interessados em receber um exemplar impresso do Banco de Questões 2010 devem encaminhar e-mail para carmen.neves@capes.gov.br.

01 outubro, 2010

Escritor apresenta 25 "grandes mistérios da humanidade"

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Paul Aron investiga fenômenos intrigantes da humanidade

Escritor apresenta 25 "grandes mistérios da humanidade"


Divulgação
Paul Aron investiga acontecimentos intrigantes da humanidade
Por que os faraós construíram as pirâmides? O que são as linhas de Nazca? Por que a civilização maia chegou ao fim? Seria possível salvar o Titanic? Algumas dessas perguntas estão sempre no ar. Elas mantêm acesa a curiosidade e o fascínio em torno de algumas das mais incríveis histórias da civilização humana. O escritor e jornalista Paul Aron investigou a fundo 25 desses fatos históricos e coloca mais lenha na fogueira no livro "Mistérios da História - uma investigação sobre os acontecimentos mais intrigantes de todos os tempos" (Manole). Sobre as pirâmides, esse "detetive da história" diz que o fato de nunca ter sido encontrado um faraó em seu túmulo gerou inúmeras teorias. Uma das hipóteses foi levantada pelo físico Kurt Mendelssohn. Em 1974, ele afirmou que as pirâmides eram projetos urbanísticos e não túmulos. Segundo Mendelssohn, o objetivo era criar uma identidade nacional egípcia para um conjunto de tribos dispersas. Isso explicaria a existência de mais de uma pirâmide para alguns faraós. Um dos grandes construtores do Egito, o faraó Snerfu, mandou erguer três delas. Leia mais (23/09/2010 - 19h19)

19 setembro, 2010

Por que a escola não pode ser assim? Divertida e Interessante

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via Caldeirão de Ideias by robsongarciafreire@gmail.com (Robson Freire) on 9/12/10


Olá Amigos

Vi esses vídeos na internet e eu adorei, pois eles trazem um conceito que eu acho e que pode mudar o jeito de ensinar e aprender. O principal objetivo é tornar o aprendizado prazeroso e divertido. Vi também algumas coisas do Francesco Tonucci, como essas ilustrações que remetem ao que tenho debatido e pregado por aqui, sobre a escola ser um espaço livre e prazeroso.

Legal demais as imagens do Frato (codinome do Francesco Tonucci).

Os vídeos fazem parte do projeto da Wolkswagen intitulado The Fun Theory , dedicado ao pensamento de que algo tão simples quanto divertido é a maneira mais fácil de mudar o comportamento das pessoas para melhor. Seja para si mesmo, para o ambiente, ou para algo completamente diferente, a única coisa que importa é mudar para melhor.

Resumindo ele prega que as pessoas façam as mesmas coisas que as vezes deixam de fazer, por apenas terem ficado mais divertidas. Quando se faz com prazer (tesão mesmo) tudo fica melhor, mais divertido, mais gostoso. É uma escola deve ser um lugar prazeroso. O aluno deve sim gostar de estudar, pois gostar de ir a escola ele gosta. A escola hoje é um Orkut real onde eles encontram a maioria dos seus contatos de redes sociais.

Agora então veja os vídeos:




Muito legal os vídeos e principalmente o conceito.

Mas como tornaríamos a escola esse lugar divertido?

Menos conteúdos, mais interação, mais TICs, mais coração e principalmente um lugar onde o aluno REALMENTE se sinta parte dele.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

19 agosto, 2010

Pense nisso e reflita



via Caldeirão de Ideias de robsongarciafreire@gmail.com (Robson Freire) em 07/08/10


"Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender"

16 agosto, 2010

A Ciência na Escola

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via Educação a Distância by Ana on 7/31/10


De tempos em tempos aparece um cientista pop, uma espécie de Professor Pardal com uma incrível capacidade de atrair corações e mentes. Em meados dos anos 1980, Carl Sagan era a grande referência, nos anos 1990 apareceu o Stephen Hawking e sua breve história do tempo e, atualmente, a estrela da hora é Michio Kaku. Eu poderia incluir o nosso representante brasileiro, Marcelo Gleiser, mas não tenho certeza se ele se enquadra no perfil pop, assim como Sheldon Cooper - do seriado "The Big Bang Theory"- está fora do ranking por razões óbvias (apesar do episódio com seu debate sobre a teoria das cordas ter me esclarecido muito mais do que muitas palestras sobre o tema). Todos eles escreveram livros tentando tornar a ciência mais "acessível" ao grande público, deram entrevistas em programas de televisão e saíram com frequência em jornais e revistas. A entrevista do renomado físico popstar Kaku traz algumas questões interessantes sobre o que é a ciência, sobre a necessidade de sua permanente divulgação e os seus benefícios para a humanidade. Kaku é categórico ao afirmar (ainda que exageradamente) que a ciência é a única fonte de progresso e das melhorias para a humanidade. Embora eu discorde da neutralidade da ciência e sua capacidade de mudar o mundo sempre de forma positiva, estou de acordo que ela precisa ser acessível. Isso significa que a ciência tem que fazer parte da Educação Básica, o objetivo no ensino das disciplinas da grade curricular deveria ser a sistematização do conhecimento e a construção do pensamento científico. Quando eu estava escrevendo a minha dissertação, eu usava o verbo "achar" a torto e a direito até que um dia o meu orientador me disse: ou você tem certeza e afirma, ou vai embora! Ora, eu passei todo Ensino Fundamental, o Ensino Médio, a Graduação e uma Especialização sem que nenhum professor me corrigisse. Eu "achava" e ganhava dez, quase sempre... Poderíamos pensar que hoje é diferente, afinal os tempos mudaram. Mudaram mesmo, porque os professores continuam repetindo mecanicamente os livros didáticos e não dão conta do volume de informação (muitas equivocadas) que os alunos trazem em suas pesquisas no mundo virtual. Não se consegue sistematizar o volume de informações, as informações não são transformadas em conhecimento e metodologia parece o nome de uma doença de pele que ninguém sabe bem como curar. Enquanto isso, na minha cidade natal, os gestores públicos estão colocando técnicos dentro das salas de aula com cronômetros (deve ser para calcular em quanto tempo eles vão f* de vez com a educação). Kaku está certo, é preciso difundir a ciência para os leigos, mas seria bem melhor se ela fosse propagada ainda na Educação Básica. Aí sim, poderíamos produzir ciência e cientistas.


30 julho, 2010

Abertas inscrições para Olimpíada Brasileira de Robótica

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iG São Paulo
Estudantes do ensino médio de todo o País têm até o dia 27 de agosto para se inscrever na competição.
Estão abertas as inscrições para a quarta edição da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). Podem participar alunos e professores do ensino médio, técnico ou normal, de escolas públicas ou privadas de todo o País.  As competições incluem provas teóricas, com resoluções de robótica, e práticas, com robôs construídos pelos competidores. As provas escritas serão baseadas em conteúdos da grade curricular do aluno de acordo com sua série.
As inscrições são gratuitas e o prazo de cadastro vai até 27 de agosto e a primeira etapa de provas será realizada em setembro, nas escolas participantes. Neste ano, a prova prática terá o tema 'Resgate', na qual cada escola e cada grupo luta para superar seus próprios limites. Nos últimos anos, o tema era "sumô de robôs". A mudança ocorreu pois a organização constatou que este tema atraía mais meninos do que meninas.
A olimpíada premiará com certificados e medalhas alunos e professores e prevê ainda curso gratuito de robótica para os melhores classificados. As provas finais serão realizadas em outubro, no centro universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em São Bernardo do Campo (SP).
Os melhores do Brasil participam, em junho de 2011, da competição mundial da RoboCup Federation, em Istambul, na Turquia. A RoboCup Federation é uma das maiores associações mundiais relacionadas à pesquisa e divulgação da robótica.

Notas do Enem devem ser olhadas com cautela, dizem especialistas

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Priscilla Borges, iG Brasília
Como o exame é voluntário, muitos alunos deixam de participar. Há escolas que ficam sem notas e resultados podem ocultar problemas.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou por mudanças drásticas em 2009. O número de provas aumentou, mais conteúdos são cobrados e as notas são calculadas de uma nova maneira. Mas uma característica básica ele não perdeu: o caráter voluntário. Só participa do exame, o aluno que quer. A avaliação – ao contrário do que gostariam muitos especialistas – não é obrigatória para todos os jovens que concluem o ensino médio.  


Com isso, os resultados das escolas no exame, divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), geram dúvidas e polêmicas entre escolas e especialistas. Muitos criticam os rankings elaborados a partir das notas obtidas pelos estudantes de cada colégio. Os críticos argumentam que, sem a participação de todos os alunos das escolas, é impossível avaliá-las de fato.
Wanda Engel, presidente do Instituto Unibanco, ressalta que não é contra a avaliação do ensino oferecido nas escolas públicas e particulares do País. Ela defende a criação de um teste universal e obrigatório para o ensino básico. "Na verdade, estamos falando de avaliação de escolas, utilizando um instrumento que não é para isso. O Enem é um exame para o aluno, que é voluntário. Só fazem os que almejam ir para a universidade", diz.
A especialista ressalta um problema reconhecido até pelo presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), José Augusto de Mattos Lourenço. "As escolas podem incentivar que os melhores alunos façam as provas e desestimular os piores. Com isso, ela sai bem na foto. Precisaríamos de um teste universal e obrigatório. Enquanto não tivermos isso, os resultados são aproximações, não a realidade exata", afirma Wanda.
José Augusto concorda. Segundo ele, em 2008, apenas 23% dos alunos da rede particular fizeram o exame. "Não podemos achar que o ranking diz mesmo quem são as melhores escolas. O Enem não revela isso", opina. O próprio Inep recomenda cuidado ao analisar os dados.
Além da participação voluntária, o presidente do instituto, Joaquim José Soares Neto, afirma que a amostra pequena de participantes pode tornar a média pouco representativa da realidade de algumas escolas. "A sociedade se interessa por esse dado e é obrigação do estado mostrá-los à população", justifica a divulgação do Enem por escola.

Metodologias

Observando os dados do ranking, é possível notar o número de alunos matriculados no 3º ano do ensino médio em cada escola e ainda saber quantos deles fizeram os testes. Se menos de dez alunos tiverem feito a redação, mas mais do que isso tiver respondido as provas objetivas, o Inep divulga as médias das provas objetivas, mas não há nota global disponível.
O iG elaborou o ranking apenas com as notas globais (provas objetivas e redação), para se ter uma avaliação mais completa. As escolas cuja taxa de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foi inferior a 2% e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas. No ranking, foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.
Neto lembra que, a partir do ano que vem, será possível comparar a evolução das escolas, por causa da nova metodologia escolhida para o Enem – a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Segundo ele, a TRI verifica a proficiência dos candidatos de forma comparável ao longo do tempo. "A TRI permite que as notas sejam colocadas em uma escala comparável", diz. No modelo antigo, isso não era possível.

19 julho, 2010

Receita de sucesso das campeãs no Enem

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Priscilla Borges, iG Brasília
Para especialistas, aulas em tempo integral, valorização dos professores e avaliação sistemática são práticas diferenciais
A receita de sucesso das três escolas que obtiveram os melhores desempenhos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009, segundo elas mesmas, guarda semelhanças. Apesar de contextos regionais distintos – a primeira está em São Paulo, a segunda em Teresina (PI) e a terceira no Rio de Janeiro – os colégios desenvolvem muitas práticas comuns. Algumas delas consideradas pelos especialistas essenciais para uma boa educação. (Confira aqui o ranking completo das escolas no Enem)
O Vértice, escola da capital paulista que está no topo das melhores, o Instituto Dom Barreto, e o Colégio São Bento são privadas, oferecem poucas vagas a cada ano (no Vértice, por exemplo, são apenas 100 para todas as séries), selecionam bem os estudantes que entrarão na escola, se destacam nos resultados de muitos vestibulares. As coincidências continuam no fato de oferecem aulas em tempo integral (sete horas), valorizarem os profissionais que trabalham na escola e aplicarem inúmeras avaliações aos alunos.
Para os especialistas, os ganhos com a educação integral nessa etapa da educação básica é consenso. A coordenadora do curso de pedagogia da Universidade Católica de Brasília (UCB Virtual), Olga Cristina Rocha, acredita que o tempo extra de aulas aumenta o aprendizado do adolescente. "O ensino integral faz toda a diferença se o aluno pode ter acesso, além dos conteúdos curriculares, à prática de esportes e a experiências que aumentem a cultura geral, estimulem a criatividade e o desenvolvimento de raciocínio lógico, talentos. É uma oportunidade de trabalhar o conhecimento integral do estudante", pondera.
César Callegari, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), diz que as atividades extracurriculares oferecidas na escola, integradas ao projeto político pedagógico do colégio, formam jovens mais capazes de enfrentar a realidade. "Não podemos oferecer uma única fonte de informações e conhecimento. Não podemos formar meninos prontos para os desafios do mundo de hoje, com um esquema escolar do século 19", afirma.
A valorização dos profissionais que trabalham na escola – sejam professores ou funcionários – também são reconhecidos como fundamentais por quem pesquisa e propõe mudanças na educação. As campeãs do ranking no Enem 2009 contam que incentivam a especialização dos professores, bancando cursos de mestrado e doutorado de interesse dos docentes. No Vértice, a regra também vale para os funcionários e os professores ganham, em média R$ 7 mil. No Dom Barreto, há ainda uma peculiaridade: ex-alunos professores têm preferência na contratação.
Callegari acredita que o investimento nos profissionais da educação é a chave para o sucesso do processo educacional. "Se você não tem o profissional reconhecido e estimulado, não consegue bons resultados", comenta.
Olga afirma que plano de carreira e formação continuada são fundamentais até para que o professor consiga estar preparado e engajado para oferecer educação de qualidade, conectando ferramentas novas e conhecimento.
"É muito legal contratar professores que tenham maior envolvimento com a escola. Mas como pensarmos em repetir essa boa prática nas escolas públicas se elas não têm autonomia para isso?", questiona Wanda Enge, presidente do Instituto Unibanco. Ela aproveita para criticar o ranqueamento das instituições por meio do Enem.
Avaliações recorrentes
Os coordenadores pedagógicos ou diretores dos colégios campeões ouvidos pelo iG contaram que os estudantes estão acostumados a fazer diferentes avaliações. Semanalmente, fazem provas e simulados. O que poderia ser um desgaste para o aluno, segundo elas, é solução. A explicação é simples: elas são corrigidas e discutidas com os alunos, que não acumulam dúvidas e não deixam conteúdos não-compreendidos para trás.
Wanda lembra que diferentes estudos já demonstraram que avaliações sistemáticas e retorno dos resultados aos alunos são muito eficientes para o processo de ensino e aprendizagem. "A avaliação contínua que dá ao jovem o feedback sobre o que ele precisa para ter promoção nos estudos é fundamental", garante.
Outro ponto levantado pelas escolas e apoiado pelos especialistas é a proximidade com a família. No Vértice, eles consideram a boa relação entre pais, professores, alunos e escola essencial para o sucesso dos estudantes. No Dom Barreto, os coordenadores ligam e conversam pessoalmente com os pais sobre o desempenho dos alunos.
De acordo com os coordenadores do São Bento, a evolução da maturidade e do relacionamento dos alunos com as outras pessoas da escola é feito de perto. A disciplina e o comportamento nas campeãs são valorizados também.
"A participação direta dos pais é extremamente positiva. Os pais não podem achar que escola é responsável exclusiva pela educação dos alunos. É importante que eles discutam com os colégios a educação que querem para os filhos no dia-a-dia, não em documentos", ressalta a pedagoga Olga Rocha.
Diferenças
Além das semelhanças citadas, os coordenadores das escolas top apontam o uso de recursos multimídia como corriqueiros nas salas de aulas dessas escolas e importantes para o bom desenvolvimento das aulas. Outros quesitos, no entanto, se divergem. No São Bento, o ensino religioso e a tradição (somente meninos podem estudar lá) são elencados como critérios diferenciais de qualidade de ensino.
No Vértice, o uso de apostilas adquiridas de outro sistema de ensino ao material próprio recebe elogios também. Em todas, a disputa pelas vagas é acirrada e a seleção, bem feita. No Vértice, a lista de espera por uma vaga é longa. Alguns passam por provas. Outros "experimentam" o colégio por um dia. O Dom Barreto abre apenas dez novas vagas por série a cada ano e há teste para entrar, assim como no São Bento.
Wanda Engel lembra que essa seleção explica muito os resultados dessas escolas. "Seja a seleção por testes ou socioeconômica por causa das mensalidades representam a escolha de um conjunto de crianças que, desde o pré-natal teve inúmeras oportunidades de desenvolvimento de suas potencialidades. As escolas produzem a partir do capital humano criado pelos pais", argumenta.
* Colaboraram Carolina Rocha, iG São Paulo, e Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro