23 dezembro, 2010

Propostas para melhorar nossa educação a distância

via Educação humanista inovadora by Moran on 12/22/10


A educação a distância está modificando todas as formas de ensino e aprendizagem, inclusive as presenciais, que utilizarão cada vez mais metodologias semi-presenciais, flexibilizando a necessidade de presença física, reorganizando os espaços e tempos, as mídias, as linguagens e os processos. EAD tem significados muito variados, que respondem a concepções e necessidades distintas.
Podemos avançar muito na personalização das propostas, mais abertas, com forte aprendizagem colaborativa, em redes flexíveis e respeito ao caminho de cada um. Na EAD o aluno poderia ter seu orientador, como acontece na pós-graduação. Esse orientador seria o principal interlocutor responsável pelo percurso do aluno, com ele definiria as disciplinas mais adequadas, as atividades mais pertinentes, os projetos mais relevantes. Teremos cursos mais síncronos e outros mais assíncronos, alguns com muita interação e outros com roteiros predeterminados, uns com mais momentos presenciais enquanto que outros acontecem na WEB. Essa flexibilidade de processos e modelos é fundamental para avançar mais, para adequar-nos às inúmeras possibilidades e necessidades de formação contínua de todos.

Diante da dificuldade muitos alunos em adaptar-se ao processo de aprendizagem a distância, vale a pena pensar em propostas que implantem a metodologia da EAD de forma mais progressiva. Cursos a distância com alunos com maiores dificuldades (em média) de autonomia - ex: EJA, cursos técnicos, tecnológicos, graduação de cursos com alunos com pouca fluência de leitura, escrita e pouca independência pessoal - poderiam ter um processo de entrada mais suave na EAD. Começar com uma ambientação tecno-pedagógica para a EAD mais forte, feita presencialmente em parte, em laboratórios, com bastante mediação tutorial.
O primeiro ano desses cursos teria uma carga horária presencial maior do que a habitual, haveria mais encontros presenciais, mais tutoria local, mais aulas ao vivo junto com as demais atividades online, só que em quantidade menor, nesse primeiro ano.

Com esse ano de transição entre o modelo presencial e o a distância, o aluno estaria melhor preparado para enfrentar os desafios de caminhar para uma maior autonomia, para poder gerenciar melhor o seu tempo, para trabalhar mais virtualmente. Assim, a partir do segundo ano, aumentaria a virtualização do curso, com menos encontros e tutoria presenciais e mais orientação e atividades pela WEB.

No primeiro ano, as aulas seriam mais informativas, ao vivo ou por videoaulas fáceis, com histórias, representações, entrevistas. As atividades poderiam ser feitas em pequenos grupos presencial e virtualmente, para aprender juntos, dar-se apoio, manter vínculos, não desistir. Progressivamente haveria mais leituras, atividades mais complexas individuais e em grupo, pela WEB.

Cursos de formação de professores, que hoje utilizam mais a WEB, poderiam incorporar videoaulas ou teleaulas interessantes e motivadoras, como elementos enriquecedores da experiência de aprender online. Os cursos que se baseiam em textos na web, mesmo que bem produzidos e em tom dialógico, exigem um salto cultural grande demais, num primeiro momento, para alunos vindo de escolas pouco exigentes e que não desenvolveram o hábito da pesquisa contínua e produção autônoma.

É interessante a organização de aulas produzidas de forma mais inteligente e econômica, principalmente na formação de professores. As universidades públicas, através da gestão da UAB – Universidade Aberta do Brasil – poderiam criar materiais, principalmente os audiovisuais, de forma integrada, gastando menos recursos na produção e concentrado-os mais na tutoria e na adaptação à realidade regional. Universidades com mais competência reconhecida em algumas áreas fariam essas produções de videoaulas e do material de apoio básico (livros...) que serviriam de base para os cursos semelhantes de outras instituições e que poderiam ter algumas adaptações regionais, aproveitando a maior parte da produção já feita.

Em EAD não precisamos todos fazer tudo. A especialização pode baratear enormemente os custos, sem diminuir a qualidade. Esses materiais poderiam estar disponíveis no portal do Ministério para todas as instituições públicas e privadas. O dinheiro de educação é pago com os nossos impostos e se um material pode ser útil para muitos, por que não disponibilizá-lo? A educação a distância não é só conteúdo pronto, mas conhecimento construído a partir de leituras, discussões, vivências, práticas, orientações, atividades. Disponibilizaríamos os materiais básicos e cada instituição os adaptaria ao seu projeto pedagógico. Por que todos temos que fazer os mesmos materiais sempre de forma isolada, principalmente na formação de professores?
Nos cursos presenciais poderíamos também flexibilizar a relação presencial-digital de forma progressiva. No primeiro ano, as atividades aconteceriam mais na sala de aula. Haveria uma ênfase maior na aprendizagem do uso das tecnologias digitais feito no laboratório até o aluno ter o domínio do virtual e poder fazê-lo a distância. Algumas disciplinas teriam no máximo, nesse primeiro ano, vinte por cento de atividades a distância. Do segundo ano em diante, a porcentagem de EAD poderia aumentar até chegar a metade em sala de aula e metade a distância (sem ultrapassar a carga total de vinte por cento a distância, enquanto não mudar a legislação vigente).

Nos modelos WEB é importante utilizar mais a videoaula, a teleaula, a web-conferência e o uso também de tecnologias móveis.
Nos modelos teleaula convém ter menos aulas expositivas e melhorar a produção, combinada com atividades significativas em sala e na WEB. Nestes modelos precisamos aproveitar melhor os recursos da WEB e as tecnologias móveis.

Caminhamos rapidamente para poder aprender em qualquer lugar, a qualquer hora e de muitas formas diferentes. Aprender quando for conveniente, com ou sem momentos presenciais, mas sempre com a possibilidade de estarmos juntos, de aprender colaborativamente e de construir roteiros pessoais. Com a riqueza de mídias, tecnologias e linguagens, podemos integrar conteúdo, interação, produção tanto individual como grupal do modo mais conveniente para cada aluno e para todos os participantes.
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O texto completo está disponível em http://www.eca.usp.br/prof/moran/propostasead.htm . Está baseado em Modelos e avaliação do ensino superior a distância no Brasil, da minha autoria, e publicado na Revista ETD – Educação Temática Digital da Unicamp, Vol. 10, Nº 2, 2009 - Textos sobre educação inovadora e comunicação - Moran

14 dezembro, 2010

País precisa gastar melhor em educação, diz Banco Mundial

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País precisa gastar melhor em educação, diz Banco Mundial


Agência Brasil

Estudo aponta ainda que Brasil tem o desafio de melhorar a qualidade dos professores na próxima década
As quatro prioridades do Brasil para a próxima década devem ser a melhoria da qualificação dos professores, o fortalecimento da educação infantil, mais qualidade para o ensino médio e mais eficiência no gasto público em educação. É o que diz estudo lançado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Mundial sobre os resultados alcançados pelo Brasil nos últimos anos em educação.
De acordo com o estudo, o gasto não está "produzindo os resultados esperados". Os dados mais recentes, de 2009, mostram que o país investe hoje 5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área, patamar que, segundo o relatório, já é superior ao verificado nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país também gasta mais do que o México, o Chile, a Índia e a Indonésia, que têm perfil demográfico semelhante ao brasileiro.
No entanto, investe em média seis vezes mais em um estudante do ensino superior que no aluno da educação básica. Na OCDE, a proporção é de dois para um. O estudo destaca ainda que as altas taxas de repetência permanecem, "apesar de pesquisas indicarem que a repetição é uma estratégia ineficaz para aumentar a aprendizagem".
O alto grau de corrupção e má-administração das verbas da educação também são apontados como razões para os baixos resultados alcançados em relação ao custo. O Banco Mundial aponta ainda "aumento no custo dos professores", com políticas que reduziram o tamanho médio das turmas e "impuseram aumentos generalizados de salário para os professores". Para a instituição, há pouca evidência de que o aumento salarial contribuiu para melhorar a qualidade da educação.
O estudo recomenda que o Brasil aproveite o período de transição demográfica que está vivendo para melhorar a qualidade do ensino, já que o fenômeno terá um "impacto notável" sobre a população em idade escolar na próxima década. "A redução projetada de 23% no número de estudantes de ensino fundamental corresponderá a quase 7 milhões de assentos vazios nas escolas do país (...). Essa transformação demográfica é uma bonificação para o sistema educacional e permitirá que os níveis atuais de gastos financiem uma grande melhoria na qualidade escolar", diz o texto.
Para melhorar a qualificação dos professores, o Banco Mundial defende a adoção de estratégias para atrair os "indivíduos de mais alta capacidade para a sala de aula", com apoio para formação continuada e recompensa pelo desempenho. Hoje, diz o estudo, a carreira docente se tornou "uma profissão de baixa categoria", que atrai o "terço inferior dos estudantes do ensino médio".
O Banco Mundial indica como exemplo de políticas eficientes programas de pagamento de bônus para os professores a partir dos resultados alcançados por suas turmas, como os já adotados em Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo e no município do Rio de Janeiro.

USP decide que não teve bom resultado e corta prêmio de docentes

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USP decide que não teve bom resultado e corta prêmio de docentes


Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

Bônus criado em 2008 é vinculada a indicadores e comissão decidiu que universidade não cumpriu metas em 2009.
A Universidade de São Paulo (USP) instituição de nível superior com a melhor avaliação do País, não alcançou bons resultados em 2009. A conclusão foi de uma comissão interna que decidiu que os indicadores do ano não são suficientes para pagar um bônus a funcionários e professores.
A premiação por "excelência" foi criada em 2008 quando pagou R$ 1.000 a cada pessoa contratada a mais de seis meses pela universidade. No ano seguinte, o bônus foi de R$ 1.500. Em 2010, a equipe de 15 mil funcionários e 5 mil professores não receberá qualquer quantia adicional.
Pela resolução que criou o prêmio seriam levados em conta três critérios: resultados na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), colocação em rankings internacionais e avaliação interna.
Em reunião na última quinta, a comissão formada pelo vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz, pró-reitores de cada área e representantes das atividades acadêmicas e dos funcionários decidiu que os últimos dois critérios são vagos por não dizerem respeito a cada ano. "A comissão reconhece que houve uma melhora no período trienal da Capes que, entretanto, não se refere exclusivamente ao ano de 2009", diz o documento que comunica a exclusão do prêmio.
A posição da USP no Ranking Webometrics desceu da posição 38 no segundo semestre de 2009 para 122 no mesmo período de 2010, no Institute of Higher Education Shangai Jiao Tong University, a queda foi do 115º lugar para 143º, no Higher Education Evaluation and Accreditation Council of Taiwan, passou da 78ª posição para a 74ª e na Times Higher Education Supplement, de 207ª para 232ª. Os examinadores sempre analisam a produção do ano anterior, logo o ranking de 2010 diz respeito a 2009.

13 dezembro, 2010

Os números do Pisa 2009

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Os números do Pisa 2009


Relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) revela um dado pouco animador para o Brasil: o país continua abaixo da média mundial em leitura, matemática e ciência. Confira os números: clique aqui.


09 dezembro, 2010

Inep divulga cidades que terão nova prova do Enem

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O Inep divulgou nesta quinta-feira a lista de cidades onde será aplicada nova prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para os alunos prejudicados por erros de impressão no caderno amarelo do exame, que aconteceu no dia 6 de novembro. A nova prova será aplicada em 218 municípios de 17 Estados do país, no dia 15 de dezembro. Veja o local da sua prova Para ver o local da nova prova, o estudante deve acessar o site do Inep e informar seu CPF e uma senha. Leia mais (09/12/2010 - 11h10)

08 dezembro, 2010

Elas lêem melhor que eles em todos os países

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Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

Nos 65 países avaliados pelo Pisa, meninas foram melhor em leitura. Em matemática e ciências não há unanimidade
Nos 65 países onde 460 mil adolescentes de 15 anos realizaram o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa), as meninas se saíram melhor que os meninos em leitura. Já em matemática, eles vão melhor em 44 nações e elas, em 11. Na prova ciências a diferença entre gêneros é muito pequena, segundo a Organização para Cooperação dos Países Desenvolvidos (OCDE), responsável pela avaliação divulgada nesta terça-feira.
Em média, a nota feminina foi de 39 pontos a mais do que a masculina em leitura, o que equivale a um ano a mais de estudo segundo a organização. Também há uma diferença entre os percentuais que estão nas duas notas extremas. Entre as meninas, só 3,1% estão com pontuação até o nível 1 (o menor), que é considerado abaixo do básico e 10% ultrapassam o nível 5 (o mais alto). Já entre os meninos, 8,4% fizeram até 1 e só 5,3% mais que 5 (veja o que significa cada nível no gráfico com ranking).
No Brasil a diferença foi de 28 pontos, o que significa que, sem elas, a média não atingiria o nível 2 em leitura.
Eles calculam (um pouco) melhor
Em matemática, a média dos estudantes masculinos é 12 pontos mais alta do que a média das adolescentes. Entre os 44 países em que eles vão melhor que elas com os números, está o Brasil, onde os meninos fizeram 16 pontos a mais que as meninas. Em outros 11 países elas conseguiram superá-los.
Em ciências, a OCDE considera que não há diferença entre sexos. A média fica dentro da "margem de erro em 48 países" incluindo o Brasil, onde os jovens fizeram 3 pontos a mais que as jovens. Em 14 países os meninos fizeram 10 pontos a mais e em 4, as meninas é que obtiveram esse resultado.

07 dezembro, 2010

Alunos da rede federal estão entre os melhores do mundo

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Priscilla Borges, iG Brasília

Média obtida em avaliação internacional por eles supera a de países como Canadá e Reino Unido e encosta no Japão
Se a maioria dos estudantes brasileiros não consegue ler, fazer cálculos matemáticos e compreender a ciência como a maioria dos jovens de países desenvolvidos como Inglaterra, França, Estados Unidos, Canadá e Japão, há um grupo seleto de alunos do País que consegue até superá-los quando o assunto é o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa).
As notas do último exame educacional, criado pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para verificar a qualidade de ensino nos países desenvolvidos e parceiros, mostram que os estudantes da rede federal de educação básica obtiveram desempenhos tão bons ou até superiores aos de muitos alunos que vivem em países muito desenvolvidos.
Relatório divulgado pela OCDE aponta que a nota em leitura desses estudantes da rede pública federal ficou em 535. A média dos países desenvolvidos na área é de 493 pontos. Em matemática, a situação se repete. Foram 521 pontos obtidos pelos alunos da rede federal contra 495 da OCDE. Em ciências, os brasileiros ficaram com 528 e os desenvolvidos, 500 pontos. A média geral da rede ficou em 528.
Essa média está à frente de países como França, Estados Unidos, Israel, Espanha, Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Austrália e Canadá. Só perde para a o Japão (529 pontos), Coréia (541), Cingapura e Finlândia (543), Hong Kong (546) e Shangai (577). Vale lembrar que a China preferiu não colocar todas as províncias e regiões do país para realizar as provas. Apenas algumas participaram do Pisa.
"É uma rede pequena, mas é a prova de que o setor público sabe oferecer uma boa educação. Para isso, tem de remunerar bem o professor, investir em laboratório e investir em educação integral. Todos são componentes do sucesso educacional", ressaltou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Os estudantes das escolas federais ficaram com resultados melhores do que a rede privada brasileira.

Notas por redes de ensino
Dependência administrativa Média Leitura Matemática Ciências
Rede pública federal 528 535 521 528
Rede privada 502 516 486 505
Rede pública (estadual e municipal) 387 398 372 392

Público e privado
Na rede particular, os resultados também foram bons. A média geral dos alunos dos colégios privados nas três áreas do conhecimento foi de 502 pontos, com destaque para leitura (516 pontos). A rede pública estadual e municipal, no entanto, apresenta diferenças gritantes de desempenho. A média geral desses estudantes foi de 387 pontos. A nota mais alta, em leitura, foi de 398.
Para Haddad, apesar das diferenças, o País está no caminho certo e deve aprender com as boas práticas nacionais e internacionais. "O sistema educacional brasileiro está reagindo aos estímulos. Crescemos 17 pontos no último triênio. Aparentemente, estamos no rumo certo", pondera. "O ingrediente do sucesso é dar mais autonomia combinada com mais responsabilização", defende.
O ministro acredita ainda que a realização das olimpíadas de conhecimento, especialmente a de matemática, pode ter influenciado positivamente na melhora das notas dos brasileiros na disciplina. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pede "toda semana" que o ministério crie agora os jogos de incentivo ao estudo das ciências.